Homem invade agência do Banestes no ES, faz 20 reféns e atira no proprio peito

Homem invade agência do Banestes no ES, faz 20 reféns e atira no proprio peito
julho 21 16:14 2016 Imprimir Este Artigo

Um ex-vigilante de 39 anos fez 20 reféns dentro de uma agência do Banestes em Cariacica-Sede, durante cinco horas, entre a tarde e a noite desta quarta-feira (20). Roberval Coutinho Barcelos deu um tiro no próprio peito, enquanto negociava com os policiais.

Tudo começou por volta das 16h15. Segundo informações do tenente-coronel Pires, do Batalhão de Missões Especiais (BME) da Polícia Militar, Roberval entrou na agência e começou a conversar com um dos vigilantes do local.

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Foto: Ricardo Medeiros/Wing Costa

Roberval entrou na agência por volta das 16h15 e tomou a arma do vigilante. O Batalhão de Missões Especiais da polícia fez um cerco e começou a negociar com ex-vigilante

“Durante essa conversa, ele teria distraído o vigilante, tomado a arma dele e rendido o outro. Daí começou toda a situação. No início houve muito nervosismo”, afirmou.

Ao todo, 20 pessoas estavam dentro da agência. De posse de duas armas, Roberval rendeu as vítimas e trancou as portas do local. Logo depois, soltou uma dessas pessoas, que estaria com problemas de saúde. Começou ali uma negociação de cinco horas.

Familiares do ex-vigilante que estavam no local, diziam não entender porque ele tomou essa atitude. Porém, a irmã mais velha de Roberval, a auxiliar de serviços gerais Lena Barcelos, 51, revela que ele está passando por depressão.

“A ex-mulher dele o trocou por outras pessoa, ele perdeu o emprego e há um ano nossa mãe, que ele era muito apegado, morreu. Aí ele colocou na cabeça que está com câncer e emagreceu uns 30 quilos”, contou.

A informação poderia ajudar a explicar a ação impensável de uma pessoa que nunca teve envolvimento com crimes.

Por volta das 21 horas, Roberval se levantou da cadeira onde estava sentado, dentro da agência, foi caminhando em direção à porta, colocou a arma no próprio peito e disparou.

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Roberval Coutinho Barcelos é socorrido após render vítimas no Banestes – Crédito: Wagner Martins

Após o gerente da agência abrir a porta e soltar os reféns, que ficaram ilesos, socorristas do Samu entraram no local. Roberval foi socorrido ao Hospital São Lucas ainda com vida, mas em estado crítico. As vítimas foram encaminhadas à 4ª Delegacia Regional.

Relato de desespero ao telefone

Uma das reféns do ex-vigilante Roberval Barcelos estava ao telefone com a filha quando a situação começou a acontecer. Ela é uma professora de 50 anos e estava no local

para pagar uma conta.

Segundo a sobrinha da vítima, a estudante Lorhayne Ruy, 28, tudo foi muito rápido.

“Ela estava no telefone com a filha e, de repente, disse: ‘meu Deus’. Aí desligou. Ela havia ido ao banco pagar uma conta e depois compraria material de construção para a obra na casa dela”, contou.

A estudante ainda afirmou que não sabia que a tia havia sido feita refém, quando passou pelo local de carro, no momento da ocorrência.

“Eu estava passando e me falaram da situação. Depois a filha dela me ligou e a gente veio para cá. É uma situação muito angustiante e complicada”, concluiu.

Vida virada pelo avesso

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Diversos familiares do ex-vigilante Roberval Barcelos Coutinho, 39, se reuniram no local da ocorrência. Muitos deles defenderam o homem que rendia, armado, 20 pessoas dentro de uma agência bancária do Banestes. Há poucos anos, a vida do trabalhador desandou. Além de passar por um processo de separação, ele ainda perdeu o emprego. Em seguida, há cerca de um ano, a mãe dele morreu. Roberval era apegado a ela, segundo a irmã mais velha, Lena Barcelos.

Desde então, os primeiros sintomas de um problema psicológico começaram a aparecer.

“A gente percebeu que ele estava falando coisas sem sentido. Ele fez isso porque está doente. Sempre foi uma pessoa de bem”, afirmou a irmã.

Para completar, o ex-vigilante ainda colocou na cabeça que estava com câncer. O resultado foram 30 quilos a menos, alimentação ruim e o ápice do problema chegou quando ele fez os reféns no banco. Agora, ele está entre a vida e a morte.

Fonte:Gazeta

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