Por causa de cuspe em Bolsonaro, Jean Wyllys vira alvo do Conselho de Ética

Por causa de cuspe em Bolsonaro, Jean Wyllys vira alvo do Conselho de Ética
outubro 05 11:33 2016 Imprimir Este Artigo

O Conselho de Ética da Câmara dos Deputados aceitou pedido da Mesa Diretora da Casa e instaurou processo para investigar se o deputado Jean Wyllys (PSol-RJ) quebrou o decoro parlamentar ao cuspir no deputadoJair Bolsonaro (PSC-RJ), na votação do processo de impeachment da então presidente Dilma Rousseff, em abril. Segundo aExame.com, o deputado foi alvo de seis representações na Corregedoria da Casa, duas delas assinadas pelo ator Alexandre Frota. Nesta terça-feira (4), foram sorteados três nomes para a relatoria do processo: Ricardo Izar (PP-SP), Zé Geraldo (PT-PA) e Leo de Brito (PT-AC).

O presidente do colegiado, José Carlos Araújo (PR-BA), é quem escolherá um dos nomes. Na época, Wyllys explicou que reagiu às provocações de Bolsonaro. Ao HuffPost Brasil, a assessoria de imprensa do PSol disse que o deputado foi “agarrado de forma violenta”e xingado de “viado”, “boiola” e “queima-rosca”. A reação do deputado também ocorreu após Bolsonaro oferecer o voto a favor do impeachment em homenagem ao coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra.

O coronel foi o primeiro militar brasileiro a responder por um processo de tortura na ditadura. Ele chefiou o DOI-Codi do II Exército, em São Paulo, órgão de repressão política durante a ditadura militar.Para Bolsonaro, Jean Wyllys “apelou para baixaria”.

“É uma agressão, demonstra que ele não está preparado para ser deputado federal. Não representa ninguém, nem a comunidade LGBT gosta dele, a maioria dos gays votam em mim porque entenderam que minha briga foi contra o kit gay, o material escolar e não contra o Jean Wyllys. Inclusive, ele me discriminou no voo da TAM. Isso é preconceito, heterofobia.”

Wyllys rebateu: “Ele cospe diariamente nos direitos de lésbicas, gays, bissexuais e transexuais. Ele cospe diariamente na democracia. Ele usa a violência física contra seus colegas na Câmara, chamou uma deputada de vagabunda e ameaçou estuprá-la. Ele cospe o tempo todo nos direitos humanos, na liberdade e na dignidade de milhões de pessoas. Eu não saí do armário para o orgulho para ficar queto ou com medo desse canalha”.

A quebra de decoro parlamentar pode terminar com pena de cassação do mandato,como ocorreu com o ex-presidente da Casa, o deputado cassado Eduardo Cunha (PMDB-RJ).

Fonte: HuffPost Brasil por Grasielle Castro
Foto:© Montagem/Divulgação/Facebook