Família busca moradora da Serra desaparecida há mais de um mês

Família busca moradora da Serra desaparecida há mais de um mês
maio 30 19:59 2017 Imprimir Este Artigo

Uma auxiliar de limpeza de 32 anos, moradora da Serra, está há mais de um mês sem dar notícias à família. Graciele dos Santos Vieira foi vista pela última vez no dia 14 de abril, uma sexta-feira. Parentes suspeitam que o atual companheiro da mulher, o pedreiro Silvio Fabiano de Carvalho Vieira, de 41 anos, tenha envolvimento no desaparecimento dela, já que ele também está sumido há dias.

Graciele e Fabiano moram juntos há três anos na casa do pedreiro, localizada em Balneário Carapebus. Eles se conheceram pela internet, trocando mensagens por uma rede social, se encontraram e logo começaram a namorar.

graciely fabiano

Segundo parentes de Graciele, Fabiano apresentou comportamento suspeito após o desaparecimento da mulher Foto: Reprodução Facebook

A auxiliar de limpeza terminou um relacionamento de cinco anos para morar com o pedreiro e os dois filhos mais velhos dele, de um relacionamento anterior. Fabiano também é pai de duas crianças, que costumam visitá-lo frequentemente. Segundo vizinhos, a família levava uma vida aparentemente normal.

No entanto, Graciele não aparece em seu local de trabalho desde o dia 13 de abril. Ela trabalhava em uma academia de ginástica e saía de casa todos os dias às 5 horas. Além disso, amigos e familiares disseram que ela era muito ativa nas redes sociais e simplesmente parou de fazer publicações. Preocupados, amigos começaram a mandar mensagens para ela, mas não tiveram resposta.

A última pessoa da família com quem Graciele manteve contato foi com o sobrinho, Lucas Vieira Pereira. “Foi pelo WhatsApp. Estávamos comentando sobre um cachorro que estava lá perto de casa abandonado e, como ela gosta muito de animal, a gente entrou em contato para ver se ela queria pegar e tirar o bichinho da rua. Mas parece que não ia dar, porque o próprio marido dela não é muito chegado a cachorro. Mas foi o último assunto”, contou.

Sentindo a falta de Graciele, familiares foram até a casa onde ela morava, mas não tiveram notícias sobre seu paradeiro. “Viemos até aqui com a polícia, que entrou na casa porque ouviu um barulho, mas era o gato que estava aí dentro. A casa estava normal, as coisas dela estavam todas aí, ela não levou nada. É muito estranho a pessoa fugir para outro lugar e não levar nada”, ressaltou o sobrinho.

A família de Graciele procurou a polícia, registrou um boletim de ocorrência e espera por respostas. O cunhado dela, o funcionário público Claudio de Brito, disse que teve dificuldades para falar com Fabiano desde que iniciou as buscas pela parente desaparecida. Segundo ele, o último contato, por mensagens, foi no dia 7 de maio.

“Falei com ele: ‘vamos ver se a gente se encontra e vamos procurar’. Ele demorou demais para responder e eu mandei outra mensagem. Ele respondeu falando que tinha passado em casa para pegar roupa e documento dela, caso ela estivesse em algum hospital, e eu falei que ia continuar o aguardando. Aí passou mais tempo ainda, eu mandei outra mensagem perguntando cadê ele e ele falou que estava almoçando e que iria tomar um banho e descer, para a gente começar a procurar. Aí peguei o carro e vim para a casa dele. Perguntamos a vizinhos e eles disseram que tinha mais de semana que não apareciam nem ele e nem a Graciele”, contou.

A atitude de Fabiano levou Cláudio e Lucas a desconfiarem do pedreiro. À medida em que a família procurava por respostas, as desconfianças aumentavam.

“Uma vizinha teve coragem e perguntou para ele onde ela estava. Ele falou que ela tinha ido visitar a mãe em Pedro Canário para cuidar dela, que estava doente. Só que a mãe dela já faleceu há sete anos. Já para a polícia, ele falou que chegou em casa e ela não estava mais, que ela levou os documentos e foi embora. E para a filha, ele falou que ela [Graciele] estava sendo procurada pela Justiça, porque os documentos dela eram falsos. Só que o investigador que está no caso é o mesmo que registrou o boletim de ocorrência dele [Fabiano] e para a gente ele falou que não falou nada disso”, afirmou Lucas.

Viagem a Portugal

Por fim, Fabiano também desapareceu sem deixar rastros. Segundo Lucas, a família de Fabiano também diz que não consegue mais falar com ele. A última notícia que os parentes da auxiliar de limpeza receberam foi de que o pedreiro teria ido para o Rio de Janeiro e, de lá, pretendia seguir para Portugal.

“A policia falou que, por enquanto, não dá para falar com ele. Eu estive com o delegado umas duas vezes e ele falou que não tem como fazer nada, porque não tem prova de que foi ele [o responsável pelo desaparecimento de Graciele]”, disse Cláudio.

O casal tinha dois carros. Segundo vizinhos, um deles está estacionado na frente da casa da família desde antes do desaparecimento de Graciele. O outro, de acordo com parentes da mulher, Fabiano teria vendido para juntar dinheiro para a viagem a Portugal.

“Ele falava que o Brasil estava muito ruim de serviço e que havia conseguido uma oportunidade lá. Ele disse que ia lá para trabalhar. Até vendeu o outro carro que ele tinha para comprar passagem”, contou um vizinho, o também pedreiro Bruno Pionte.

A Polícia Civil informou, por meio de nota, que a Delegacia de Pessoas Desaparecidas investiga o caso. No entanto, a PCES não deu mais informações para não atrapalhar as investigações.

Quem tiver qualquer informação que possa ajudar o trabalho da polícia deve entrar em contato com o disque-denúncia, pelo telefone 181. Não é preciso se identificar.

Fonte:Gazeta