Falta sangue no Hemoes e doações de homossexuais são recusadas

Falta sangue no Hemoes e doações de homossexuais são recusadas
junho 21 20:57 2017 Imprimir Este Artigo

O Hemocentro do Espírito Santo (Hemoes) recebe neste período do ano poucas doações e, devido a isso, lançou a campanha Junho Vermelho. Mesmo com poucas doações e estando no limite do estoque, as unidades não podem receber doações de homens homossexuais, que tiveram relações intimas nos últimos doze meses. Essa regra é uma determinação pública e nacional. Uma portaria do Ministério da Saúde se baseia em orientação internacional da Organização Mundial da Saúde (OMS).

A portaria existe desde 2004, mas foi renovada no ano passado. Até treze anos atrás, homossexuais homens não podiam sequer doar sangue. A determinação é polêmica, mas a defesa é de que o vírus HIV ou a Hepatite C podem ser transmitidos pelo sexo anal e o vírus pode demorar a se manifestar no organismo, por meio dos testes existentes em até seis meses.

O servidor público e militante de causas LGBT no Estado, Aubrey Effgen tem sangue O-, sendo doador universal, com sangue na maioria das vezes em baixa no estoque do Hemoes. Mesmo com toda a proteção nas relações sexuais, ele não pode doar. “É uma situação vexatória. Não leva em conta toda a proteção que um homossexual possui no comportamento, seja no uso da camisinha, seja no uso de medicamentos, em caso de ter um parceiro com HIV, enfim, todo aparato para não transmitir doenças”, acrescenta.

A infectologista Rúbia Miossi defende a medida e acredita que ela não seja discriminatória. Segundo a especialista, a manifestação do vírus HIV pode demorar até seis meses nos testes existentes atualmente e que, na dúvida, é melhor evitar contaminação de outra pessoa que vai receber o sangue. Rúbia Miossi acrescenta que não são apenas os homossexuais os excluídos pela portaria. “Existem outras oito situações que deixam o candidato inapto, como pessoas que fazem sexo em troca de dinheiro ou drogas, quem tem mais de um parceiro, pessoa que colocou piercing, tatuagem ou definitiva. A ideia das restrições é proteger quem vai receber o sangue”, disse.

O Hemoes precisa, principalmente, de sangue O-, que pode ser transfundido em pessoas com qualquer outro tipo sanguíneo. No geral, em média, são captadas 80 bolsas de sangue por dia, mas no período de férias, feriados prolongados e dias mais frios as doações costumam ser ainda menores. O ideal seria captar 100 bolsas de sangue por dia, segundo o Hemoes.

Fonte: Gazeta

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