Câmara Municipal e Fibria Celulose criam grupo de trabalho para acompanhar invasão da lama nas praias de Nova Viçosa

Câmara Municipal e Fibria Celulose criam grupo de trabalho para acompanhar invasão da lama nas praias de Nova Viçosa
novembro 05 16:13 2018 Imprimir Este Artigo

A Câmara Municipal de Nova Viçosa, através do seu presidente, o vereador José Anastácio Carvalho Machado (DEM), provocou uma reunião com os representantes da Fíbria Celulose para discutir a origem da lama que vem de forma intensa tomando conta das praias do balneário. A princípio acredita-se que a lama seja oriunda do material de descarte feito pela dragagem do canal do Rio do Tomba, no município de Caravelas, feito para o transbordo do eucalipto através dos navios barcaças até o terminal portuário de Aracruz-ES. A alta concentração dessa lama e a constância da incidência tem afetado a pesca, o turismo e consequentemente o comércio local.

A reunião foi pautada por apresentações de estudos, gráficos e imagens por parte da empresa Fíbria Celulose para embasar a sua defesa e afirmar que ela não é a fonte de origem da lama que atinge as praias do balneário de Nova Viçosa, e por indagações sobre as operações da empresa no canal do Rio Tomba, apresentação de contexto histórico da turbidez das águas e informações de cunho socioambiental por parte dos vereadores que compunham a comissão presente. Estiveram na reunião, João Carlos Augusti, Pedro Torres, Rodrigo Araújo e Engilbert Felipe representando a empresa Fíbria Celulose, além dos vereadores Renato Lopes Lage (PP), Edimilson Figueiredo de Matos (PPS), João Farias da Silva (DEM) e o secretário Municipal de Meio Ambiente de Nova Viçosa,  Francisco Geovane Rosal.

Para João Augusti, gerente de Meio Ambiente da Fíbria Celulose, independente das certezas por parte da empresa (essa afirma que a lama não tem origem na dragagem do Canal do Rio Tomba provocada por sua operação de transbordo de eucalipto) o importante é encontrar o DNA da lama, é saber a origem não por questões de responsabilidade apenas, mas porque a empresa está presente no dia a dia da comunidade. “É de total interesse nosso contribuir, não queremos aqui tão somente esclarecer que não é de nossa responsabilidade, não se trata só de sermos ou não culpados, é uma prioridade para nosso relacionamento, não somos o problema, disso temos certeza, mas queremos ser parte da solução”, disse Augusti.

No entendimento do secretário Municipal de Meio Ambiente de Nova Viçosa, Geovane Rosal, é necessária uma ação conjunta para que os transtornos possam ser minimizados o mais breve possível, para ele, um diagnóstico apenas de observação é muito raso para atribuir ou não culpa a empresa, mas para ele fica nítido o aumento da constância da lama com a dragagem do Tomba. “Olha estamos todos focados em entender o problema e viabilizar a melhor solução possível, claro que os estudos da empresa aqui apresentados são bem embasados, disso não tenho dúvidas, mas não posso também refutar a sabedoria popular, as observações dos nossos ribeirinhos que dizem unânimes que essa lama surgiu dessa forma depois das operações da Fibria, por isso é preciso um estudo, precisamos esclarecer os fatos”, ressaltou o secretário Geovane.

O presidente da Câmara Municipal, vereador Anastácio Carvalho, foi enfático em suas colocações, cobrou uma postura mais presente por parte da empresa e fez duras críticas à forma como a Fibria vinha conduzindo a situação, mesmo ela alegando não ser responsável pelo problema, o presidente chegou a externar sua preocupação com prováveis engajamentos por parte da empresa para “abafar” o caso. “Não vamos aceitar nada menos que resolver o problema, estamos aqui em comitiva justamente para não gerar interpretações de favorecimento por parte de quem quer que seja, não posso responsabilizar a Fibria sem um laudo conclusivo, mais posso afirmar que é muito estranho essa coincidência toda, do surgimento intenso dessa lama com a dragagem do Tomba, por isso vamos propor um estudo independente para eliminar qualquer resquício de dúvidas”, enfatizou Anastácio.

Ficou entendido entre os participantes da reunião que um grupo de trabalho será criado para o acompanhamento do problema, um grupo plural com a participação da sociedade civil organizada, Fibria, Câmara Municipal, representantes da Prefeitura Municipal e representantes do Ministério Público, além de um boletim de acompanhamento das operações de dragagem do canal do Tomba de forma periódica para que os envolvidos no grupo de trabalho possam estar fazendo as observações necessárias. No mesmo dia uma outra reunião aconteceu com a mesma temática na pauta, dessa vez entre a Fíbria e a sociedade civil organizada, a reunião aconteceu na forma de devolutiva, uma vez que já haviam tido uma conversa preliminar há cerca de quarenta dias no gabinete da presidência da Câmara Municipal de Nova Viçosa, a pedido do próprio vereador Anastácio Carvalho.

(ASCOM – Câmara Nova Viçosa)

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